História

Contar a história do Núcleo é contar, em grande parte, a história do curso, do ponto de vista dos seus alunos. E o curso de Engenharia Electromecânica na UBI contou 20 anos em 2008. É um tempo já considerável, com espaço para muitos acontecimentos. Por isso, para que o texto não se torne muito maçador, está dividido em capítulos numa sequência (crono)lógica.

 

O Contexto

1988. A jovem Universidade da Beira Interior, com dois anos de vida e cerca de 2000 alunos, passa a oferecer, pela mão de Luís Carrilho, um novo curso: Engenharia Electromecânica. Mais de 50 alunos respondem à chamada. Era um curso promissor e solidamente estruturado, tão bem ou tão mal, que possuía um regime de precedências tão apertado que alguém que perdesse certas cadeiras (Análises ou Físicas) no 1º ano já não poderia concluir o curso nos 5 anos.

À conta deste regime, um grupo de 12 alunos dos primeiros viria a atrasar-se. Pois se nos anos anteriores não eram fáceis, a partir do 3º as coisas agravavam-se ainda mais. A falta de académicos na região e a dificuldade em incentivar os do litoral a vir para o interior levara a UBI a captar professores no estrangeiro: Brasil, Europa de Leste, entre outros. Resultado: Muitas aulas eram leccionadas em inglês, e nem o inglês dos professores era o mais comum, nem os alunos tinham a familiaridade de hoje com esta língua.

O Início

As dificuldades para os alunos eram, como se pode imaginar, bastante grandes, gerando uma necessidade de união, de entreajuda. Esta necessidade, aliada ao muito tempo que passavam juntos à conta da forte componente prática do curso (que os levava muitas vezes a terminar laboratórios às 2 h e 4 h da manhã!), fez com que aquele grupo se tornasse muito unido e interventivo.

Dele nasceu, em 1991, o NEUBI – Núcleo de Estudantes de Engenharia Electromecânica da Universidade da Beira Interior.

O grupo estava finalmente em condições de se fazer representar. Bem, não propriamente; na altura, como hoje, o reconhecimento exigia formalismos; mas nem este obstáculo burocrático foi problema, um jurado amigo do Núcleo compôs uns estatutos nos conformes e o NEUBI tornou-se um dos primeiros Núcleos com personalidade jurídica. Jorge Ferreira como Presidente da Direcção e Artur Martins como Presidente da Assembleia, lideravam este expedito grupo.

Mas este não era o único; havia pelo menos outro grande grupo (2º ano), de origens diferentes. Como se pode imaginar, a tendência natural seria para estes grupos rivalizarem, e como tal, as primeiras eleições foram sempre marcadas pela presença de duas listas.

 

A Receita

Promover actividade exige, quase sempre, financiamento. Ora, neste meio universitário, a melhor maneira de conseguir que os colegas nos deixem algum é, claro está, dando-lhes festa! Os locais escolhidos não podiam variar muito, ora nas Maçãs, um “grande barracão com um bar”, ora na Fábrica, ao lado da actual Telepizza, mais tarde no Rosa Negra, que já foi Amor entretanto, com o “pré-aquecimento” realizado no bar do PCP ou Café Montanha, com bebidas mais em conta. Das entradas nas discotecas o núcleo recebia tipicamente 50 escudos!

Mas as festas de Electromecânica, onde o número de elementos femininos nunca foi propriamente grande, não tinham graça nenhuma. Então, estabeleceu-se um interessante “protocolo” com outros cursos como Comunicação Social e Sociologia, onde a proporção em género era inversa. Uns compareciam às festas dos outros, e assim se facturava, e em vários aspectos, pois os contactos que se estabeleciam viriam frutificar, resultando mesmo em alguns casamentos.

 

A Actividade

Para além das festas pontuais, haviam dois eventos que marcavam sempre presença: A Semana Desportiva (com karting, torneios de matraquilhos, sueca e futebol) e a MegaChurrascada, onde todos eram convidados, desde alunos a professores. Mas o supremo evento era a Viagem Final de Curso, e para lá era canalizado grande parte que se havia angariado.

No entanto, outras actividades mais pedagógicas sempre mereceram o empenho do Núcleo: encontros de antigos alunos, conferências regulares de professores da casa (infelizmente perdidas, reeditadas com sucesso em 2004/2005, e novamente perdidas) elucidando sobre futuras matérias, duas a três conferências anuais com convidados externos, visitas de estudo, e um grande feito, seja dito: a publicação anual de uma Revista onde eram editados seminários de membros do departamento, e algumas notícias do mundo electromecânico. Começou em 1995, sob a presidência de José Páscoa, continuou no ano seguinte, com Jorge Neto, e teve a sua última edição no mandato de Vítor Soares, em 1997. Uma vida curta, mas significante.

 

O Declínio

A subsistência de qualquer entidade está condicionada à existência de pessoas que assegurem o seu funcionamento e de mais umas como público. Ora, quando estas condições não são satisfeitas, começa a perder-se o sentido da existência, e o Núcleo viria a sentir isso com a forte machadada que 1998 trouxe a Electromecânica: a abertura do curso de Engenharia Mecânica, para onde seriam desviados muitos alunos. Um ano depois, em 1999, vinha Electrotécnica. E assim, com esta excessiva catalogação, ficou-se com três cursos sublotados, reduzindo os acessos em Electromecânica, em 2003, 2004 e 2005 aos 18 alunos e em 2006 ao ameaçador limite de 8 alunos.

 

A Reviravolta

2007. Ao chegar à segunda década após a abertura do curso, veio o ano de boa nova para Electromecânica. O facto de voltar a ser o único dos três cursos a admitir e, suspeitosamente, alguma divulgação pessoal da parte de formados, o curso voltou a encher: 35 caloiros! Mérito seja dado a quem aguentou o Núcleo nos maus dias do curso, Heloísa Diogo, André Sá e, por fim, Vítor Lemos – o nosso Souza, sobre quem caía agora a grande responsabilidade de assegurar que os caloiros fossem bem recebidos e lhes fosse incutida a causa do Núcleo. Decidiu legá-la a alguém de confiança, o nosso Amílcar Baptista. Medida acertada. Bem composto e bem apoiado, o Núcleo voltou à boa saúde.

Ressuscitar projectos antigos, conceber novos, são desafios que se nos apresentam, aos quais estamos a responder da melhor maneira que sabemos. Possa a boa vontade de todos estar connosco, e o nome de Electromecânica voltará a soar alto.

por Sérgio Baptista