À memória de Humberto Santos

Saibam todos os membros e amigos do NEUBI que é ao prematuramente falecido professor Humberto Santos que devemos esta plataforma informática onde se encontram. Devo dizer, num grato respeito à sua memória, que das muitas vezes que me desloquei ao seu gabinete, da primeira à última, sempre me recebeu com a maior disponibilidade e boa disposição, louvando, sugerindo, advertindo… E fazia-o por mais do que obrigação profissional; o espírito de dedicação que possuía ficou bem evidenciado nas circunstâncias da montagem das raízes deste site: Em casa, ao fim-de-semana, aturando as minhas dúvidas no Messenger.

Por tudo isto, que fez com que este site fique para sempre nostalgicamente ligado à sua existência, dedico-o à sua memória, dedicatória que deve ficar, enquanto este site existir, junto ao Copyright, no fundo da página.

Para quem quiser conhecer mais da sua pessoa, deixo-vos com as palavras do professor Tessaleno Devezas.

Sérgio Baptista

RARA AVIS IN TERRIS

Sorriso sempre posto, vontade sempre disposta, colaboração sempre pronta, curiosidade sempre manifesta,…e mais que outros ‘sempres’, estará sempre presente em nossa memória. E mais ainda, sempre presente como algo positivo, trabalho construtivo, inestimável ajuda. Esse era o nosso Humberto, ave rara em nossos dias, em que ajudar parece ser apenas mais um vernáculo do dicionário, de pouco uso na prática.

Quando aqui cheguei, 1992, era ainda um técnico. Sua polivalência já era evidente. Poucos anos depois era Engenheiro, mais alguns Assistente. Polivalência multiplicada. De tudo ensinou, em tudo ajudou. Versátil e prestimoso são adjectivos pequenos para expressar o seu perfil de humanidade. Possuía ainda qualidades maiores: adorava aprender, amava desafios. Pelo início de 2003 apresentei-lhe um tema para a tese de doutorado: simular a evolução da técnica, trabalhar com algoritmos genéticos, iniciar-se na ciência da vida artificial. Temas completamente desconhecidos para ele, mas por muito pouco tempo. Logo excelia. Havia algo de oculto a demonstrar, mas ele soube encontrar.

Nunca me esqueço de um dia, não há muito, quando adentrou o meu gabinete, muito feliz: – Professor, segui a sua sugestão, entendi agora, acho que isto vai mudar minha vida!

Minha sugestão? Ler Darwin, mas no original, “On the Origin of Species by Means of Natural Selection”. Poucos o fizeram. Leu, entendeu, apaixonou-se. Foi mais além, formulou um programa para a demonstração. Algo de absolutamente original. Está escrito. Faltava tão pouco para a apresentação.

Mais feliz ainda pareceu em Abril de 2006, quando o levei à Viena, ao IIASA, berço do conhecimento e aplicações das curvas logísticas com que tanto gostava de trabalhar. Ajudou-me a organizar um seminário da Gulbenkian sobre Globalização como Processo Evolucionário. Confidenciou-me que sentia-se realizado com aquela oportunidade. Mais ainda agora, quando em Dezembro de 2007, foi publicado um livro em que o seu nome aparece por extenso como autor de um dos capítulos.

Espero que lhe seja reconhecido o grau de Doutor. Não apenas por mérito, mas porque há muito mais por trás do seu saber: transitou por Newton, Maxwell, Planck, Einstein, Darwin, Shannon, Wolfram, Jay Gould – e com desenvoltura. Como já disse, poucos, muito poucos mesmo o fizeram.

Que estranha sensação. Não perdi um aluno. Não perdi um amigo. Perdi um filho.

Tessaleno Devezas